terça-feira, 17 de novembro de 2015

Rejeitados

Rejeiados são mais livres do que você, meu bem
Se quer mesmo escapar venha comigo
Por que rejeitados não andam cabisbaixos
 
 

Solitários e abandonados

Então você pensa que pode calar um artista?
Não imagina no que se meteu
Há uma guerra constante acontecendo dentro de mim
E eu preciso me expressar
 
Você escolheu suas drogas e decide que irá abdicá-las
Eu certamente não estou protegida do espancamento
O dano já está feito
Solitários e abandonados tornan-se mais fortes e indestrutíveis
 
 

Desperta

E na morte
Ela se encontrou livre de toda a dor
Arrastando-se pelo chão imundo, limpando com o sangue
Agonizante, ninguém podia ouvir os seus gritos
E ela vibrava e pisava de pés descalços sobre o cadáver
E ouviu os aplausos enquanto as cortinas se fecharam
Cobrindo o rosto para não ver o que se aproximava
Rompendo laços e arrancando verdades aleatórias. Puro ódio.
 
 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Noites frias de verão

Antes eu de sucumbir ao desejo eu teria preferido sonhar outra vez
Desperta de todas essas assombrações
Querido, conseguiu ouvir romper?
Diga-me: como foi sentir para dentro de mim?
 
Os dias desfaleceram e emolduraram-se em dor
Fecho os olhos á espera de outro beijo
Talvez até lá eu encontre minha sanidade
Selando prosperidade
 
Diga-me: o que o amendronta nessas noites frias de verão?
As ruas estão solitárias por alguma razão
E nós temos um ao outro
 
 
A areia me machuca e amortece
O vinho me estremeceu
Foi como dezenas de punhaladas, não consigo imaginar dor pior
E assim terminou a noite
Até adormecer
Em sofrimento, distante e impuro
 
 

Triste menina

Triste menina
Se escondendo entre arbustos sombrios para não ser vista
Não entendo o que estava acontecendo em sua volta
Então por que fugir?
Você não parece perceber
Que o seu jardim era florido
Você só escolheu pisar sobre os cacos de vidro por que pensou que não fosse doer tanto
 
Não acredito que tudo isso aconteceu
Por favor, diga-me que não é verdade
 
É desse jeito que gostaria de ter passado a sua vida? Se arrastando em tristeza e solidão?
Deveria ter sido mais forte, deveria ter decidido que iria brilhar
Me sinto desmoronar ao pensar por que é como se estivesse atuando o tempo inteiro
De qualquer maneira isso acabou
Toda a minha dor morre aqui
 
 

A fugitiva

Todas as noites eu fecho os meus olhos sonhando com o momento em que você me tiraria daqui
Estou tão sozinha
Preciso tanto de um carinho, querido
Fantasio com bailes estravagantes
Embebedando-se de espumante
Tropeço em seu colo e me vejo perdida em seus lábios
Pergunto seu nome, você se recusa a responder
E no fim isso nem têm mais importância
Eu só quero fugir de toda a dor
Me vejo alienada, mas logo você surge e me põe na direção correta
Eu só quero fugir daquilo que me machuca
 
Quando tocam as dez badaladas eu procuro me reiventar
E não importa quantas vezes eu faça isso, a história se repete
Eu me afastei daquilo que me apodrece, mas eles continuam a me perseguir como se fosse um ritual
 
 

Denis

Descubro-me a chorar, pensando em você, em por quê você não vem
Escondida sob as cobertas, escutando discos de Gainsbourg, fingindo que está junto de mim
Em uma tarde quente de verão, senti vontade de me despir, senti que alguém me espionava
Ouvi algumas gargalhadas, vi o flash, escondi o rosto envergonhada:
"Qual será o seu nome?"
 
Então chega o inverno
E tudo que eu faço é esperar
Escrevi cartas de amor pensando em você
Diga-me: quando irá aparecer?
Eu prefiro estar morta do que passar a vida inteira sem sentir o seu toque
Apaixonar-me foi a melhor coisa que já me aconteceu
Metade do meu coração é seu
Como posso continuar sem você para me carregar?
Querido, estou desmoronando